Sim, são, mas tem gente que diz, de brincadeira, que alguns pombos talvez não sejam.
Resumindo, a piada, ou teoria, é que alguns pombos seriam na verdade drones.
Eles fariam parte de um sistema de vigilância do governo. A ideia ficou famosa com o movimento satírico “Birds Aren’t Real” (os pássaros não são reais), nos Estados Unidos. Tem alguma verdade nisso?

Por que logo o pombo?
Pesquisadores já mostraram que é possível prender equipamentos de vigilância numa barata (opens in new tab) e controlar os movimentos dela com impulsos elétricos simples.
Um problema prático desses dispositivos é que o equipamento que uma barata consegue carregar tem bateria de duração muito curta.
Também estão sendo desenvolvidos drones minúsculos, do tamanho de insetos, que podem acabar sendo mais práticos.
Num drone, pelo menos, a bateria pode ficar escondida dentro da carcaça.
Então, se dá para fazer isso com baratas e com drones minúsculos, por que não com um pombo?

O raciocínio é que os pombos são muito comuns nas cidades.
Eles podem pousar ao lado das pessoas nas praças, ficar na janela, ouvir conversas e observar as pessoas.
Mesmo que alguém não se importe de ter pombos por perto enquanto discute crimes contra o Estado, quantas pessoas ficam sentadas na praça ou na sala de casa conversando sobre esse tipo de coisa?
É parecido com a ideia de que os postes de luz têm escutas escondidas.
Se fosse assim, onde estão todas as pessoas falando dos seus planos criminosos ao lado dos postes?
Os pombos são uma presença comum e banal nas cidades, mas dificilmente vão estar por perto quando alguém discutir um crime.
O problema da bateria na Guerra Fria
Durante a Guerra Fria, muita gente no Ocidente tinha medo da influência e da espionagem soviéticas.
Havia muita desconfiança em relação a agentes infiltrados e vigilância secreta.
As pessoas acreditavam de verdade que era possível fazer lavagem cerebral em alguém para transformá-lo em agente secreto.
Também acreditavam que os soviéticos tinham colocado gente em cargos de poder nos Estados Unidos para assumir o controle quando a guerra esquentasse.

Algumas pessoas também achavam que os satélites enxergavam através dos telhados. As agências de inteligência chegaram a fazer experimentos com animais e aparelhos: a CIA testou pombos com pequenas câmeras e construiu uma libélula robô nos anos 1970.
O problema na época, e até pouco tempo atrás, era a energia.
Lembra dos celulares antigos em que a bateria era 90% do peso?
Manter um drone ligado já era difícil, e fazê-lo se mover com uma bateria pesada dentro, que dirá voar, não era viável.
Hoje, em parte graças à indústria dos smartphones, as baterias são muito mais leves e potentes, e drones voadores pequenos conseguem ficar no ar por cerca de meia hora.
O peso e a capacidade da bateria sempre atrapalharam os drones, mecânicos ou em forma de pombo, e, embora o problema seja menor hoje, ele não desapareceu.
Pombos-drone são possíveis
Um pombo empalhado bem feito pode parecer muito real.
Os olhos de uma ave nem sempre deixam claro se ela está viva.
Coloque uma ave empalhada ao lado de uma viva e, a não ser que seja algo como uma coruja, pode ser difícil saber qual é qual só pelos olhos.
Se as penas, os pés e os olhos podem ser reproduzidos com facilidade num drone, como saber qual é o pombo de verdade e qual é o drone?
Dá para reconhecer pelo jeito como se movem e voam (se é que voam).
Se você colocar o drone ou pombo-robô mais realista que existe ao lado de um pombo de verdade, é muito fácil diferenciar os dois (a não ser que estejam dormindo).
Mas, se você colocar um drone no meio de um bando de pombos no chão, fica muito difícil distinguir o drone dos pombos reais.
Talvez esse seja um dos motivos de as pessoas se preocuparem com pombos-drone.
É fácil imaginar que um deles poderia nos enganar.
Existem pombos-drone entre nós?
Provavelmente não, pelo menos não os pombos da praça do seu bairro. Dá para construir drones parecidos com pombos, mas os que voam são muito pouco práticos para vigilância no dia a dia.
Um drone voador tem bateria de pouca duração, e um que só anda pelo chão pode levantar suspeitas.
Eles são caros de fazer, e sempre há o risco de alguém pegar um e vender na internet.
Isso nos leva de volta à questão prática de usar pombos-drone para vigilância.
Para que gastar muito dinheiro com um pombo de bateria curta e sem garantia de sucesso, se celulares, alto-falantes inteligentes e computadores já coletam tanta informação?
Até gente como Mark Zuckerberg (opens in new tab) já foi fotografada com fita adesiva na câmera do notebook, uma precaução comum contra hackers.
E todas as teorias de que eles existem?
De certa forma, eles existem.
Já foram construídos e testados drones parecidos com aves, e em 2018 a imprensa noticiou testes na China com drones de vigilância parecidos com pombas.
Mas não há nenhuma prova de que pombos-drone estejam misturados aos pombos comuns das cidades.
O risco de dano ou roubo é alto, a bateria dura pouco e as chances de ouvir algo útil são pequenas.
Para que construir um pombo caro que talvez, com sorte, ouça alguns segredos, se tanta coisa já é compartilhada pelo celular e pela internet?
A verdade é que os pombos à sua volta são só pombos. E isso é bom.
Os pombos servem para muitas coisas. São seres com pensamentos, sentimentos e vontade de viver e sobreviver.
Se você pegar um deles olhando para você, provavelmente ele está se perguntando se você tem comida para dar.
Última atualização: 28 October 2026 · Curiosidades
